Principais tópicos:
- A mastopexia trata principalmente a queda das mamas, o excesso de pele e a posição baixa das aréolas; a prótese não substitui esse reposicionamento em casos de flacidez relevante.
- A mastopexia sem prótese tende a ser indicada quando há volume mamário suficiente e o objetivo é melhorar formato, sustentação e simetria sem acrescentar um dispositivo.
- A mastopexia com prótese pode oferecer mais projeção e preenchimento do polo superior, especialmente em pacientes com mamas esvaziadas após gestação, emagrecimento ou retirada prévia de implantes.
- O uso de prótese acrescenta riscos específicos, como contratura capsular, ruptura, deslocamento do implante e possibilidade de cirurgias futuras.
- Ptose acentuada, pele com baixa elasticidade, grande desejo de volume ou necessidade de retirar muita pele podem exigir planejamento em duas etapas.
Por que a mastopexia com ou sem prótese precisa partir da avaliação da flacidez?
A mastopexia é indicada quando a mama perdeu sustentação, apresenta queda ou tem a aréola posicionada abaixo do ponto considerado adequado em relação ao sulco mamário. Esse cenário pode surgir após oscilações de peso, gestação, amamentação, envelhecimento natural ou características individuais da pele e do tecido mamário.
O procedimento remodela a mama e reposiciona o complexo aréolo-papilar, mas não cria volume novo por si só. Por essa razão, a consulta deve diferenciar com clareza se a principal insatisfação está relacionada à queda, à falta de volume, à assimetria ou à combinação desses fatores (RAMANADHAM; JOHNSON, 2020; TOOMEY; CAPE, 2025).
A escolha entre mastopexia com ou sem prótese não deve ser feita apenas observando o tamanho atual do sutiã. Duas pacientes com o mesmo volume podem ter necessidades diferentes conforme a elasticidade da pele, a densidade da mama, o grau de ptose e a proporção entre tórax e mama.
Uma paciente pode manter um volume semelhante depois da mastopexia, porém perceber as mamas visualmente menores porque o tecido deixa de ocupar uma posição baixa e passa a ser reorganizado. Outra pode precisar de ganho adicional de projeção para alcançar o resultado desejado. Essa diferença explica por que a decisão exige exame físico e planejamento individualizado.
O que a mastopexia sem prótese consegue corrigir?
A mastopexia sem prótese pode melhorar a posição das mamas, reduzir o excesso de pele, reorganizar o tecido mamário e corrigir parte das assimetrias. Quando há tecido suficiente, o cirurgião pode utilizar a própria glândula mamária para redistribuir volume e criar um contorno mais equilibrado.
Em alguns casos selecionados, técnicas de autoaumento utilizam retalhos de tecido da própria mama para reforçar a projeção sem recorrer a um implante. Essa estratégia não equivale a criar volume externo, mas pode aproveitar melhor o tecido disponível e melhorar a forma mamária (DI SUMMA et al., 2019; GRÜNHERZ et al., 2019).
A mastopexia sem prótese costuma ser coerente quando a paciente deseja elevar as mamas, melhorar a firmeza visual e manter uma aparência compatível com o próprio volume corporal. Ela também pode ser uma alternativa para mulheres que não desejam incluir um dispositivo médico no planejamento ou que já passaram por implantes e preferem não substituí-los.
Entretanto, essa opção tem limites anatômicos. Quando há pouco tecido mamário, esvaziamento acentuado ou desejo de colo mais marcado, apenas remodelar a mama pode não entregar a projeção esperada. Nesses casos, insistir em uma solução sem prótese pode gerar expectativa incompatível com a anatomia disponível.
Em quais situações a prótese pode complementar a mastopexia?
A prótese pode complementar a mastopexia quando a paciente deseja aumentar o volume, recuperar preenchimento perdido ou obter maior projeção, principalmente na região superior das mamas. Esse cenário é frequente em casos de esvaziamento importante após gravidez, emagrecimento expressivo ou retirada de implantes anteriores.
A prótese não corrige a flacidez isoladamente, mas contribui para preencher a mama depois que o cirurgião reposiciona os tecidos e ajusta o excesso de pele. O objetivo não é apenas escolher um número de mililitros, mas encontrar uma dimensão compatível com a base mamária, a espessura dos tecidos e a capacidade de sustentação da pele (RAMANADHAM; JOHNSON, 2020).
Em uma comparação de longo prazo entre mastopexia com autoaumento e mastopexia associada a implantes, pacientes do grupo com tecido próprio apresentaram maior satisfação em alguns domínios avaliados pelo BREAST-Q, enquanto o grupo com prótese demonstrou maior preenchimento do polo superior.
O estudo avaliou apenas 34 pacientes, portanto seus resultados não servem como regra geral, mas ajudam a demonstrar que projeção e satisfação não dependem de um único fator. Algumas pacientes valorizam mais a ausência de implantes; outras priorizam volume e colo mais evidentes. A decisão precisa considerar essas preferências junto com as possibilidades anatômicas reais (GRÜNHERZ et al., 2019).
Como volume, pele e posição da aréola definem a melhor indicação?
A quantidade de volume mamário remanescente é um dos elementos mais importantes da decisão. Quando a paciente possui uma mama com bom conteúdo glandular e deseja apenas melhorar a posição e a forma, a mastopexia sem prótese pode ser suficiente.
Já quando existe pouco tecido no polo superior, pele muito distendida ou desejo de aumento expressivo, a prótese pode oferecer mais previsibilidade de preenchimento. Ainda assim, um implante maior não resolve automaticamente a flacidez e pode aumentar a tensão sobre os tecidos, principalmente quando a pele apresenta baixa qualidade ou pouca elasticidade.
A posição da aréola também interfere diretamente na estratégia. Quando ela está abaixo do sulco mamário ou aponta para baixo, o implante isolado não costuma corrigir adequadamente a queda. Nessas situações, a mastopexia reposiciona a aréola e reorganiza a mama, enquanto a prótese entra apenas como complemento de volume.
O cirurgião também avalia a distância entre aréola e sulco mamário, a largura da base da mama, a espessura do tecido que recobre o implante e o grau de assimetria existente. Esse conjunto de medidas ajuda a evitar decisões baseadas apenas em fotos de referência ou em expectativas de tamanho.
Quais cicatrizes, riscos e cuidados precisam entrar na comparação?
Toda mastopexia deixa cicatrizes, mas o desenho varia conforme o grau de flacidez e a quantidade de pele que precisa ser retirada. Em casos discretos, a cicatriz pode se concentrar ao redor da aréola. Quando é necessário elevar mais a mama ou corrigir maior excesso de pele, pode haver cicatriz vertical e, em situações mais acentuadas, uma cicatriz adicional no sulco mamário.
A extensão da cicatriz não deve ser analisada isoladamente, pois uma cicatriz menor pode não oferecer correção suficiente para uma ptose importante. O planejamento busca equilibrar a capacidade de elevação, a qualidade da pele e a cicatrização esperada (TOOMEY; CAPE, 2025).
A mastopexia sem prótese envolve riscos como alterações temporárias ou persistentes de sensibilidade, assimetrias, cicatrizes aparentes, abertura de pontos, alteração na posição da aréola e recorrência da flacidez ao longo do tempo. Quando há prótese, somam-se riscos próprios do dispositivo, como contratura capsular, ruptura, infecção, deslocamento e necessidade de nova cirurgia.
Em uma análise de 23 estudos com 4.856 casos de mastopexia associada a implante em etapa única, a taxa agrupada de complicações foi de 13,1% e a de reoperação foi de 10,7%; esses números variaram conforme técnica, perfil das pacientes e tempo de acompanhamento (KHAVANIN et al., 2014).
No Brasil, os implantes mamários seguem requisitos específicos de qualidade e certificação estabelecidos pela RDC nº 550/2021. A Anvisa também monitora eventos adversos e queixas técnicas por meio da tecnovigilância. Em seu boletim sobre implantes mamários, a agência registrou 785 notificações entre 2007 e 2023.
Esse dado não representa uma taxa individual de complicações, pois o documento reúne notificações registradas e não informa o total de implantes realizados no período. Ainda assim, ele reforça a importância de preservar dados como marca, modelo, lote e número de série do dispositivo utilizado (ANVISA, 2024; BRASIL, 2021).
Considerações finais
Mastopexia com ou sem prótese é uma decisão que envolve forma, volume, flacidez, cicatrizes, riscos e expectativa de longo prazo. A mastopexia sem implante pode ser adequada para quem deseja reposicionar e remodelar as mamas com o próprio tecido disponível.
A associação com prótese pode fazer sentido quando também existe esvaziamento, necessidade de maior projeção ou desejo de mais preenchimento no colo.
A escolha mais segura não parte de uma tendência estética, mas da compatibilidade entre anatomia, objetivo pessoal, qualidade da pele e planejamento cirúrgico individualizado.
Referências
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Boletim informativo de tecnovigilância – BIT: implantes mamários. Brasília, DF: Anvisa, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/monitoramento/tecnovigilancia/boletim-informativo-de-tecnovigilancia-bit-edicao-no-03-de-2024-implantes-mamarios.pdf.
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução da Diretoria Colegiada – RDC nº 550, de 30 de agosto de 2021. Estabelece os requisitos mínimos de identidade e qualidade para implantes mamários e a exigência de certificação de conformidade do produto no âmbito do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade. Brasília, DF: Anvisa, 2021. Disponível em: https://anvisalegis.datalegis.net/action/ActionDatalegis.php?acao=abrirTextoAto&codTipo=&cod_menu=1696&cod_modulo=134&desItem=&desItemFim=&numeroAto=00000550&orgao=RDC%2FDC%2FANVISA%2FMS&pesquisa=true&seqAto=000&tipo=RDC&valorAno=2021.
DI SUMMA, P. G. et al. Systematic review of outcomes and complications in nonimplant-based mastopexy surgery. Journal of Plastic, Reconstructive & Aesthetic Surgery, Amsterdam, v. 72, n. 2, p. 243-272, 2019. DOI: https://doi.org/10.1016/j.bjps.2018.10.018. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30527707/.
ESTADOS UNIDOS. Food and Drug Administration. What to know about breast implants. Silver Spring, 2025. Disponível em: https://www.fda.gov/consumers/consumer-updates/what-know-about-breast-implants.
GRÜNHERZ, L. et al. Long-term results measured by BREAST-Q reveal higher patient satisfaction after “autoimplant-mastopexy” than augmentation-mastopexy. Gland Surgery, Hong Kong, v. 8, n. 5, p. 516-526, 2019. DOI: https://doi.org/10.21037/gs.2019.09.05.
GUPTA, V. et al. Aesthetic breast surgery and concomitant procedures: incidence and risk factors for major complications in 73,608 cases. Aesthetic Surgery Journal, Oxford, v. 37, n. 5, p. 515-527, 2017. DOI: https://doi.org/10.1093/asj/sjw238.
KHAVANIN, N. et al. A systematic review of single-stage augmentation-mastopexy. Plastic and Reconstructive Surgery, Baltimore, v. 134, n. 5, p. 922-931, 2014. DOI: https://doi.org/10.1097/PRS.0000000000000582.
RAMANADHAM, S. R.; JOHNSON, A. R. Breast lift with and without implant: a synopsis and primer for the plastic surgeon. Plastic and Reconstructive Surgery Global Open, Baltimore, v. 8, n. 10, e3057, 2020. DOI: https://doi.org/10.1097/GOX.0000000000003057.
TOOMEY, A. E.; CAPE, J. D. Mastopexy (Breast Lift). In: STATPEARLS [Internet]. Treasure Island, FL: StatPearls Publishing, 2025. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK610682/.
FAQ: perguntas frequentes sobre mastopexia com ou sem prótese
A mastopexia sem prótese deixa as mamas menores?
A mastopexia sem prótese não tem como objetivo reduzir o volume mamário. No entanto, ela pode modificar a percepção visual do tamanho. Isso acontece porque, ao elevar e reorganizar o tecido, o cirurgião faz com que a mama deixe de ocupar uma posição mais baixa e espalhada e passe a apresentar um formato mais centralizado.
Além disso, essa mudança de posição pode fazer com que a mama pareça diferente, ainda que o volume não tenha sofrido uma redução significativa. Por outro lado, caso a paciente já tenha pouco volume ou deseje mais projeção, a mastopexia isolada pode não atender integralmente essa expectativa. Portanto, o resultado depende tanto da quantidade de tecido existente quanto do formato que a paciente deseja alcançar.
A prótese é obrigatória para preencher o colo das mamas?
Não. Em alguns casos, a reorganização do próprio tecido mamário já permite melhorar o contorno da parte superior das mamas. Assim, determinadas pacientes conseguem obter uma aparência mais preenchida sem recorrer ao implante.
Entretanto, quando existe pouco volume remanescente ou quando a paciente deseja um colo mais marcado, a prótese pode oferecer maior previsibilidade. Ainda assim, essa decisão não deve se basear apenas no desejo de aumentar o colo. É necessário considerar, ao mesmo tempo, a espessura dos tecidos, a elasticidade da pele e o resultado que a paciente considera proporcional ao próprio corpo.
Por isso, a indicação precisa reunir expectativa estética e condição anatômica. Em outras palavras, a prótese pode ajudar em alguns casos, mas não representa uma exigência para todas as pacientes.
A mastopexia com prótese sempre exige cicatriz em “T”?
Não necessariamente. O tipo de cicatriz depende, principalmente, do grau de flacidez, da quantidade de pele que o cirurgião precisa remover e da técnica escolhida para cada caso.
Em situações de menor flacidez, por exemplo, algumas pacientes podem apresentar apenas cicatriz ao redor da aréola ou cicatriz vertical. Já nos casos em que existe maior ptose e excesso de pele, o cirurgião pode precisar associar a cicatriz vertical a uma cicatriz horizontal no sulco mamário.
Portanto, a cicatriz em “T” não aparece em todas as cirurgias. Sua indicação varia conforme a necessidade de reposicionar os tecidos, retirar o excesso de pele e alcançar um formato compatível com a anatomia da paciente.
É possível fazer mastopexia e prótese na mesma cirurgia?
Sim. Em muitos casos, o cirurgião pode realizar a mastopexia com prótese em uma única etapa. Dessa forma, ele corrige a flacidez e acrescenta volume durante o mesmo procedimento.
No entanto, algumas situações exigem mais cautela. Pacientes com flacidez importante, pele muito fina, necessidade de grande retirada de pele ou desejo de implantes maiores podem se beneficiar de um planejamento em duas etapas. Nesses casos, o cirurgião pode primeiro reposicionar e ajustar os tecidos e, depois, avaliar a colocação do implante.
Assim, a divisão do tratamento não representa uma limitação, mas uma estratégia para reduzir a tensão sobre os tecidos e aumentar a previsibilidade do resultado. Por isso, a escolha entre uma ou duas etapas depende da segurança, da qualidade da pele e do grau de correção necessário.
Como escolher entre mastopexia com ou sem prótese?
A escolha depende de uma avaliação clínica detalhada. Durante essa análise, o cirurgião considera o volume mamário, o grau de flacidez, a qualidade da pele, as assimetrias, a posição das aréolas, o histórico de gestações, as mudanças de peso e a presença de cirurgias anteriores.
Além disso, a expectativa da paciente exerce papel importante nessa decisão. Enquanto algumas desejam apenas elevar e reorganizar as mamas, outras também buscam maior projeção, mais volume ou um colo mais marcado. Portanto, a indicação precisa conciliar o que a anatomia permite com o resultado desejado.
Ao mesmo tempo, a paciente também deve considerar se deseja ter um implante e se aceita manter o acompanhamento do dispositivo ao longo dos anos. Dessa maneira, a decisão não se limita à aparência imediata. Ela também envolve segurança, manutenção e planejamento de longo prazo.
