Qual é a resposta objetiva sobre lipoenxertia de mama ou prótese de silicone?

A escolha do procedimento começa pela identificação do que a paciente realmente deseja melhorar. Algumas mulheres buscam aumentar o tamanho das mamas, enquanto outras querem deixá-las mais projetadas, preencher a parte superior, corrigir diferenças entre os lados ou tratar a flacidez e a queda.

Fotos de referência podem ajudar a mostrar preferências de formato e volume, mas não permitem prever que o mesmo resultado será reproduzido em outro corpo. Cada paciente possui características próprias, como largura das mamas, quantidade de tecido, espessura da pele, posição das aréolas e proporção entre tórax, cintura e quadril.

A lipoenxertia utiliza a gordura da própria paciente e costuma proporcionar um aumento mais suave, distribuído e integrado ao formato natural das mamas. Já o implante acrescenta uma estrutura com volume definido, podendo oferecer maior projeção e mais preenchimento, especialmente na parte superior das mamas.

Quando a principal queixa é a queda, apenas acrescentar volume pode não ser suficiente. Nesses casos, pode ser necessário retirar o excesso de pele, remodelar a mama e reposicionar a aréola. Por isso, a conversa deixa de ser somente sobre aumentar o tamanho e passa a considerar também o formato, a sustentação e a posição das mamas.

Como funcionam a lipoenxertia de mama e a prótese de silicone?

Na lipoenxertia, a gordura é retirada de outra região do corpo por meio da lipoaspiração, preparada e aplicada aos poucos nas mamas. Para que parte desse volume permaneça, a gordura precisa se adaptar ao novo local e receber sangue, oxigênio e nutrientes. Por isso, a paciente precisa ter gordura suficiente para a retirada, e a mama deve apresentar condições para receber o volume planejado.

 

Na cirurgia com prótese de silicone, o implante é colocado em uma posição definida pelo cirurgião e escolhido de acordo com medidas como tamanho, formato e projeção. A principal diferença é que a lipoenxertia utiliza um tecido vivo da própria paciente, enquanto a prótese utiliza um implante desenvolvido para acrescentar volume e estrutura às mamas.

 

Qual opção oferece maior previsibilidade de volume e formato?

A prótese de silicone permite planejar com mais precisão o volume e a projeção das mamas. Já na lipoenxertia, parte da gordura transferida pode ser absorvida, e o resultado se define aos poucos, conforme o inchaço diminui e a gordura se adapta ao novo local.

 

Esse processo pode levar cerca de oito meses, embora o tempo e o volume que permanecem variem entre as pacientes. Por isso, a lipoenxertia costuma ser indicada para aumentos mais discretos e pode exigir uma nova aplicação para complementar o resultado.

 

Quando a lipoenxertia de mama tende a ser mais coerente?

A lipoenxertia pode ser uma boa opção para quem deseja um aumento mais discreto, corrigir diferenças entre as mamas ou suavizar o contorno. Para realizar o procedimento, a paciente precisa ter gordura suficiente em outras áreas do corpo para que ela seja retirada e transferida para as mamas.

 

A técnica também pode ser combinada com a prótese de silicone quando é necessário preencher pontos específicos ou deixar o contorno mais natural.

 

A quantidade de gordura que permanece varia de uma paciente para outra. O resultado depende da forma como a gordura é retirada, preparada e aplicada, além das características dos tecidos e da recuperação de cada organismo. Por isso, não existe uma porcentagem única que possa ser garantida para todos os casos.

 

Depois que se integra à mama, a gordura continua se comportando como a de outras regiões do corpo. Assim, perdas ou ganhos importantes de peso também podem alterar o volume das mamas ao longo do tempo. 

 

Quando a prótese de silicone tende a ser mais coerente?

A prótese de silicone pode ser mais adequada para pacientes que desejam um aumento maior, mais projeção ou que não possuem gordura suficiente para realizar apenas a lipoenxertia. O tamanho e o formato do implante são escolhidos de acordo com as medidas do tórax, a largura das mamas e a qualidade da pele e dos tecidos.

 

Como o volume é proporcionado pelo próprio implante, o resultado não depende da permanência da gordura transferida. Ainda assim, isso não significa que a prótese seja melhor em todos os casos.

 

Pacientes com implantes já relataram maior satisfação geral, mas aspectos como bem-estar físico, emocional, social e sexual foram semelhantes aos observados após a lipoenxertia. A satisfação depende principalmente do quanto o procedimento escolhido corresponde ao objetivo, à anatomia e às expectativas de cada paciente (ALGHANIM et al., 2025).

 

O que muda na recuperação, na manutenção e no acompanhamento por imagem?

Na lipoenxertia, a recuperação envolve tanto as mamas quanto as regiões de onde a gordura foi retirada. Além disso, é preciso aguardar alguns meses para que o inchaço diminua e o volume das mamas fique mais estável.

 

Na cirurgia com prótese, os cuidados se concentram principalmente nas mamas, mas o acompanhamento deve continuar enquanto o implante estiver no corpo. As próteses não são dispositivos definitivos e, com o passar dos anos, pode surgir a necessidade de troca, retirada ou uma nova cirurgia.

 

Como uma ruptura do implante de silicone nem sempre causa sintomas, exames como ultrassonografia ou ressonância magnética podem ser solicitados para avaliar sua integridade. Também é importante confirmar se a prótese escolhida possui registro regular na Anvisa antes da cirurgia (FDA, 2023a; FDA, 2023b).

 

Lipoenxertia de mama ou prótese de silicone: os implantes de silicone no Brasil

No Brasil, a Anvisa acompanha a segurança das próteses mamárias depois que elas chegam ao mercado. Entre 2007 e 2023, a agência recebeu 785 notificações relacionadas a esses implantes, incluindo relatos de possíveis problemas e falhas técnicas.

Esse número não representa a porcentagem de complicações, pois considera apenas as notificações que a Anvisa recebeu, e não o total de cirurgias realizadas no período (ANVISA, 2025a).

Para comercializar próteses no país, os fabricantes precisam cumprir critérios de qualidade e segurança, submeter os produtos a avaliações de conformidade e obter o registro regular na Anvisa (ANVISA, 2021).

Após a cirurgia, a paciente deve guardar as informações da prótese, como marca, modelo, lote e número de série, além de manter as consultas e os exames recomendados pelo cirurgião.

Esses dados permitem identificar exatamente o dispositivo implantado e facilitam o acompanhamento caso a Anvisa publique algum alerta, determine o recolhimento de um produto ou a equipe precise investigar alguma alteração clínica (ANVISA, 2025b).

 

Quais riscos e achados de imagem precisam entrar na decisão?

Antes de qualquer cirurgia, a paciente precisa entender os benefícios, os limites e os possíveis riscos do procedimento escolhido.

 

Na lipoenxertia, parte da gordura pode não receber circulação sanguínea suficiente e formar áreas endurecidas, pequenos nódulos, bolsas com conteúdo oleoso ou depósitos de cálcio. 

 

Essas alterações geralmente são benignas, mas podem aparecer no toque ou nos exames de imagem. Por isso, é importante informar ao mastologista e ao profissional que realiza os exames que houve aplicação de gordura nas mamas (GROEN et al., 2016).

 

Na cirurgia com prótese, podem ocorrer endurecimento ao redor do implante, ruptura, perda de volume, diferenças entre as mamas, dor, infecção ou necessidade de uma nova cirurgia. Esses riscos devem ser explicados de acordo com o tipo de implante e as características de cada paciente (FDA, 2023a).

 

Quando existe flacidez ou queda importante das mamas, apenas acrescentar gordura ou colocar uma prótese pode não resolver a principal queixa. Nesses casos, pode ser necessária uma mastopexia, cirurgia que retira o excesso de pele, remodela a mama e reposiciona a aréola, com ou sem aumento de volume.

 

Considerações finais

A lipoenxertia e a prótese de silicone são procedimentos diferentes e não oferecem o mesmo tipo de resultado. Na lipoenxertia, o cirurgião utiliza a gordura da própria paciente para promover aumentos discretos, corrigir pequenas diferenças entre as mamas e melhorar o contorno. Além disso, o resultado depende da quantidade de gordura disponível e de quanto desse volume permanece após a recuperação.

Com a prótese, o cirurgião consegue planejar com mais precisão o tamanho e a projeção das mamas. Em contrapartida, o implante permanece no corpo e exige acompanhamento ao longo dos anos.

O cirurgião deve definir a escolha mais adequada a partir do resultado desejado, das características das mamas, dos critérios de segurança e dos planos da paciente para o futuro. Por isso, a decisão não deve considerar apenas a ideia de um resultado mais “natural” ou uma quantidade específica de mililitros.

 

Referências

ALGHANIM, K.; MINKHORST, K.; JASZKUL, K. M. et al. Fat grafting versus implants: who’s happier? A systematic review and meta-analysis. Plastic Surgery, Oakville, v. 33, n. 1, p. 23-34, 2025. DOI: https://doi.org/10.1177/22925503231190930

 

BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Consultas Anvisa. Brasília, DF: Anvisa, [2026]. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/. Acesso em: 29 jun. 2026.

 

BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Boletim informativo de tecnovigilância – BIT: implantes mamários. Brasília, DF: Anvisa, 2025a. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/monitoramento/tecnovigilancia/boletim-informativo-de-tecnovigilancia-bit-no-03-de-2024-implantes-mamarios-v2-pdf.pdf

 

BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução da Diretoria Colegiada – RDC nº 550, de 30 de agosto de 2021. Estabelece os requisitos mínimos de identidade e qualidade para implantes mamários e a exigência de certificação de conformidade do produto no âmbito do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade. Brasília, DF: Anvisa, 2021. Disponível em: https://anvisalegis.datalegis.net/action/ActionDatalegis.php?acao=abrirTextoAto&codTipo=&cod_menu=1696&cod_modulo=134&desItem=&desItemFim=&numeroAto=00000550&orgao=RDC%2FDC%2FANVISA%2FMS&pesquisa=true&seqAto=000&tipo=RDC&valorAno=2021

 

BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Implante mamário: e-mail para dúvidas. Brasília, DF: Anvisa, 2019. Atualizado em: 28 maio 2025b. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2019/implante-mamario-e-mail-para-duvidas

 

ESTADOS UNIDOS. Food and Drug Administration. Risks and complications of breast implants. Silver Spring, 2023a. Disponível em: https://www.fda.gov/medical-devices/breast-implants/risks-and-complications-breast-implants

Demais referencias

ESTADOS UNIDOS. Food and Drug Administration. Things to consider before getting breast implants. Silver Spring, 2023b. Disponível em: https://www.fda.gov/medical-devices/breast-implants/things-consider-getting-breast-implants

 

GROEN, J.-W.; NEGENBORN, V. L.; TWISK, J. W. R. et al. Autologous fat grafting in cosmetic breast augmentation: a systematic review on radiological safety, complications, volume retention, and patient/surgeon satisfaction. Aesthetic Surgery Journal, Oxford, v. 36, n. 9, p. 993-1007, 2016. DOI: https://doi.org/10.1093/asj/sjw105

 

ØRHOLT, M.; WELTZ, T. K.; HEMMINGSEN, M. N. et al. Long-term volume retention of breast augmentation with fat grafting depends on weight changes: a three-year prospective magnetic resonance imaging study. Plastic and Reconstructive Surgery, Baltimore, v. 155, n. 6, p. 947-954, 2025. DOI: https://doi.org/10.1097/PRS.0000000000011841

 

SETH, I.; BULLOCH, G.; GIBSON, D. et al. Autologous fat grafting in breast augmentation: a systematic review highlighting the need for clinical caution. Plastic and Reconstructive Surgery, Baltimore, v. 153, n. 3, p. 527e-538e, 2024. DOI: https://doi.org/10.1097/PRS.0000000000010614

 

WANG, C.-L.; LUAN, S.-S.; PANAYI, A. C. et al. Methods used for evaluation of volume retention rate in autologous fat grafting for breast augmentation: a systematic review. Chinese Medical Journal, Beijing, v. 132, n. 18, p. 2223-2228, 2019. DOI: https://doi.org/10.1097/CM9.0000000000000415

 

FAQ: perguntas frequentes sobre lipoenxertia de mama ou prótese de silicone?

A lipoenxertia de mama pode substituir a prótese de silicone?

O cirurgião pode utilizar essa técnica em situações selecionadas, especialmente quando busca obter ganho moderado de volume, corrigir assimetrias ou refinar o contorno. Ela não reproduz, porém, a mesma previsibilidade de projeção e volume de um implante. A escolha depende da anatomia, da disponibilidade de gordura e das metas discutidas em consulta.

 

É possível garantir quanto volume permanecerá após a lipoenxertia?

Não. A retenção depende da integração da gordura e varia entre pacientes. Estudos ajudam a estabelecer faixas de referência, mas não permitem prometer um percentual definitivo. A avaliação deve considerar o volume desejado, a qualidade dos tecidos e a possibilidade de nova etapa depois da estabilização.

 

A prótese de silicone precisa ser trocada em um prazo fixo?

Não existe um prazo único que se aplique a todos os implantes. Eles não são dispositivos vitalícios, mas a necessidade de troca ou remoção depende de sintomas, exames, integridade do dispositivo e ocorrência de complicações. O acompanhamento periódico orienta decisões individualizadas ao longo dos anos.

 

A lipoenxertia de mama impede a mamografia ou outros exames?

Não. A paciente deve manter o acompanhamento indicado para sua idade e risco, mas precisa informar aos profissionais de saúde que realizou enxerto de gordura. O procedimento pode produzir achados como cistos oleosos, calcificações ou necrose gordurosa, que o radiologista interpreta considerando o histórico cirúrgico.

 

O que acontece quando a principal queixa é flacidez mamária?

Quando há excesso de pele e queda da aréola, o aumento de volume pode não resolver a questão central. Nesses casos, a avaliação pode indicar mastopexia, isolada ou associada à lipoenxertia ou à prótese. A definição depende do grau de flacidez, da qualidade da pele e do objetivo estético.