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A American Society of Plastic Surgeons (ASPS) e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) destacam que a escolha da técnica de mastopexia deve considerar fatores como tamanho e formato das mamas, posição das aréolas, grau de queda, quantidade de pele excedente e qualidade e elasticidade da pele.

Uma análise de 1.888 pacientes submetidas a técnicas sem implantes encontrou taxa global de complicações de 10,4%, com problemas de cicatriz em 3%.
Em 151 pacientes submetidas à mastopexia com autoaumento, Zaussinger et al. relataram taxa de complicações de 9% e melhora significativa no BREAST-Q.

A mastopexia remodela o tecido mamário; já o implante pode aumentar o preenchimento do polo superior e do colo, segundo a ASPS.

A FDA e a Anvisa alertam que implantes mamários exigem acompanhamento ao longo do tempo e podem estar associados a complicações, como contratura capsular, ruptura e necessidade de novas cirurgias. Assim, a mastopexia sem prótese evita riscos específicos relacionados ao implante.

Por que algumas pacientes podem fazer mastopexia sem prótese?

A mastopexia sem prótese pode ser uma boa opção quando a paciente já tem volume mamário suficiente e deseja principalmente levantar e remodelar as mamas, sem aumentá-las. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e a American Society of Plastic Surgeons (ASPS) explicam que a mastopexia remove o excesso de pele, reposiciona a aréola e reorganiza o tecido mamário para melhorar o formato e a firmeza. Além disso, a escolha da técnica depende de fatores como tamanho e formato das mamas, grau de queda e qualidade e elasticidade da pele.

Além disso, a queda das mamas, chamada de ptose mamária, envolve mudanças na pele, no tecido glandular, na gordura e na posição do mamilo. Dados publicados por Rinker, Veneracion e Walsh (2010), a partir de 132 pacientes, associaram ptose a fatores como idade, índice de massa corporal, número de gestações, tabagismo e perda importante de peso. Portanto, aparências semelhantes podem exigir planejamentos diferentes.

O que a mastopexia sem prótese consegue mudar?

A mastopexia sem prótese consegue elevar a mama, reposicionar aréola e mamilo, retirar excesso de pele e redistribuir o tecido existente para criar um novo contorno. Como consequência, a mama pode parecer mais firme e proporcional sem que nenhum volume externo seja acrescentado. A ASPS destaca que o padrão de incisão e a técnica variam conforme formato das mamas, grau de queda, posição das aréolas e qualidade da pele.

Nesse processo, algumas técnicas utilizam o próprio tecido mamário para criar sustentação e projeção, conceito conhecido como autoaumento ou autoaugmentation. Em termos simples, o cirurgião reorganiza partes da glândula e da gordura da própria mama para concentrar volume em regiões específicas. Zaussinger, Wenny e Huemer (2022) avaliaram 151 pacientes tratadas com essa abordagem e observaram melhora significativa nos indicadores de satisfação do BREAST-Q, instrumento utilizado para mensurar resultados relatados pelas próprias pacientes.

Quando o tecido natural da mama pode ser suficiente?

O tecido natural pode ser suficiente quando existe quantidade adequada de mama para redistribuição e quando a paciente não deseja aumento relevante do tamanho. Nesse sentido, a avaliação considera espessura e distribuição do tecido, qualidade da pele, posição do sulco mamário, grau de ptose, assimetrias e proporção entre mama e tórax. Esses elementos ajudam o cirurgião a estimar quanto de projeção e remodelamento pode ser obtido sem acrescentar uma prótese.

Além disso, não existe uma única técnica de mastopexia sem implante. Di Summa et al. (2019) reuniram dados de 34 publicações, envolvendo 1.888 pacientes, e identificaram diferentes formas de remodelamento da pele e da glândula. A taxa global de complicações foi de 10,4%, enquanto alterações relacionadas às cicatrizes apareceram em 3% e problemas do complexo aréolo-papilar em 2,9%. Contudo, esses números representam populações analisadas e não permitem prever o risco individual.

Quais são os limites da mastopexia sem implante?

O principal limite é que a mastopexia sem prótese não cria um volume que a paciente não possui. Assim, se a expectativa inclui aumento expressivo das mamas ou preenchimento muito marcado do polo superior, região localizada acima do mamilo, o tecido disponível pode não produzir esse efeito. A própria ASPS informa que um implante associado à mastopexia pode proporcionar maior plenitude na parte superior da mama e no colo.

Por outro lado, algum preenchimento pode ser obtido sem implante em pacientes selecionadas por meio do autoaumento. Em pacientes após grande perda de peso, por exemplo, Radacher et al. (2026) compararam 64 mastopexias com autoaumento e 36 com implantes e encontraram maiores escores pós-operatórios de satisfação com as mamas e com o resultado no grupo de autoaumento. Entretanto, esse achado se refere especificamente à população avaliada e não determina qual técnica é superior para todas as pacientes.

A mastopexia sem prótese tem vantagens e riscos?

Uma vantagem objetiva é eliminar riscos que existem especificamente por causa de um implante, embora a mastopexia continue sendo uma cirurgia. Nesse sentido, não há dispositivo sujeito a ruptura, contratura capsular ou necessidade de monitoramento de sua integridade. A Food and Drug Administration (FDA) ressalta que os implantes mamários não são dispositivos vitalícios e podem exigir novas cirurgias ao longo do tempo.

No Brasil, a Anvisa informa que esses dispositivos também estão sujeitos a complicações como contratura capsular, ruptura, hematoma, infecção e seroma, além de possíveis revisões cirúrgicas. Por isso, o acompanhamento ao longo dos anos faz parte dos cuidados após a colocação de próteses mamárias.

Entretanto, a mastopexia sem prótese também apresenta possíveis complicações. A ASPS relaciona riscos como sangramento, infecção, alterações de sensibilidade, assimetria, cicatrização inadequada, irregularidades de contorno e possibilidade de cirurgia revisional. Por isso, evitar um implante não torna automaticamente o procedimento simples ou indicado para todas as pacientes; a escolha precisa considerar anatomia, expectativa estética, condições clínicas e planejamento cirúrgico.

Como saber se a mastopexia sem prótese é adequada para você?

O chamado sutiã interno pode ser considerado quando existe necessidade de reforçar os tecidos mamários, melhorar a sustentação da mama ou oferecer suporte adicional ao bolso de uma prótese. Essa indicação depende de uma avaliação individual, que considera qualidade e espessura da pele, grau de ptose, posição das mamas, estabilidade do implante, histórico de cirurgias anteriores e objetivo do procedimento. A partir dessa análise, é possível definir se o reforço interno realmente acrescenta benefício ou se outras estratégias podem ser suficientes.

A Dra. Maria Júlia Norton (CRM-RJ 878669 | RQE 25.762 e 25.763) é cirurgiã plástica no Rio de Janeiro, formada pela UERJ, com atuação dedicada à cirurgia das mamas e mais de 1.750 cirurgias realizadas ao longo de sua trajetória. Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), mantém atualização constante em técnicas avançadas de cirurgia mamária. Seu atendimento é baseado em avaliação cuidadosa, comunicação clara e planejamento individualizado, considerando a anatomia, o histórico cirúrgico e os objetivos de cada paciente.

Agende uma consulta com a Dra. Maria Júlia Norton, em Ipanema, no Rio de Janeiro, para entender se alguma estratégia de suporte interno pode contribuir para o seu caso. Durante a avaliação, é possível discutir mastopexia, uso de tela, suturas internas, troca de prótese, reconstrução do bolso e outras alternativas, além de esclarecer benefícios, limitações, riscos e expectativas antes de definir a abordagem cirúrgica.

Considerações Finais

A mastopexia sem prótese pode oferecer um resultado consistente quando a prioridade é levantar e remodelar as mamas sem aumentar de forma relevante o volume. Em síntese, o próprio tecido pode ser reorganizado para criar um novo contorno quando existe estrutura suficiente para o objetivo pretendido. Assim, a indicação não depende simplesmente da preferência por usar ou evitar implantes, mas da compatibilidade entre anatomia, expectativa, técnica cirúrgica e planejamento individual.

FAQ: perguntas frequentes sobre mastopexia sem prótese

Quantos anos dura uma mastopexia sem prótese?
Não existe um prazo exato de duração. A American Society of Plastic Surgeons (ASPS) considera os resultados da mastopexia duradouros, mas as mamas continuam sofrendo os efeitos naturais do envelhecimento e da gravidade. Além disso, gravidez e grandes variações de peso podem modificar o resultado ao longo dos anos. Manter o peso estável tende a favorecer maior estabilidade do contorno.

Vale a pena fazer mastopexia sem prótese?
Pode valer a pena quando a paciente já possui volume mamário suficiente e deseja principalmente levantar, remodelar e melhorar a firmeza das mamas, sem aumentá-las. A mastopexia utiliza o próprio tecido mamário, removendo excesso de pele e reposicionando a mama. Portanto, a indicação depende da anatomia e do resultado desejado, e não apenas da preferência por evitar implantes.

É possível levantar as mamas sem colocar silicone?
Sim. Nesse sentido, a própria mastopexia é responsável por retirar excesso de pele, reposicionar os tecidos e elevar aréola e mamilo. O implante é uma opção adicional quando existe indicação ou desejo de acrescentar volume.

A mastopexia sem prótese diminui o tamanho da mama?

Não necessariamente. Em geral, o objetivo é remodelar e reposicionar o volume existente; contudo, a retirada de pele e a redistribuição dos tecidos podem modificar a percepção de tamanho e formato da mama.

É possível preencher o colo sem usar a prótese?
Em algumas pacientes, sim. Nesse contexto, técnicas de autoaumento podem redistribuir o próprio tecido para melhorar projeção e preenchimento, porém a capacidade de criar volume depende diretamente da anatomia disponível.

Mastopexia sem prótese deixa cicatriz?
Sim. Entretanto, o padrão da cicatriz varia conforme quantidade de pele excedente, anatomia e técnica escolhida, podendo envolver apenas a região ao redor da aréola ou incluir cicatrizes verticais e no sulco mamário.

O resultado da mastopexia sem prótese é permanente?
O resultado pode ser duradouro, mas as mamas continuam sujeitas ao envelhecimento e à ação da gravidade. Além disso, gravidez e mudanças importantes de peso podem alterar novamente o formato e posição ao longo dos anos.

A mastopexia sem prótese é mais segura do que a cirurgia com implante?
Não é adequado afirmar isso de forma geral. Embora a ausência do implante elimine riscos específicos do dispositivo, como ruptura e contratura capsular, a mastopexia continua apresentando riscos cirúrgicos próprios e precisa de indicação individualizada.

Referências

AMERICAN SOCIETY OF PLASTIC SURGEONS. Breast Lift Procedure Steps. [s.d.]. Disponível em: https://www.plasticsurgery.org/cosmetic-procedures/breast-lift/procedure. Acesso em: 7 set. 2026.

AMERICAN SOCIETY OF PLASTIC SURGEONS. Breast Lift Risks and Safety. [s.d.]. Disponível em: https://www.plasticsurgery.org/cosmetic-procedures/breast-lift/safety. Acesso em: 7 set. 2026.

AMERICAN SOCIETY OF PLASTIC SURGEONS. Breast Lift Results. [s.d.]. Disponível em: https://www.plasticsurgery.org/cosmetic-procedures/breast-lift/results. Acesso em: 7 set. 2026.

AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (Brasil). Boletim Informativo de Tecnovigilância – BIT: Implantes Mamários. Ano XIV, n. 3, 2024. Brasília, DF: Anvisa, 2024. Disponível em: Biblioteca Digital da Anvisa – BIT nº 3/2024. Acesso em: 7 set. 2026

Demais referências

DI SUMMA, Pietro G. et al. Systematic review of outcomes and complications in nonimplant-based mastopexy surgery. Journal of Plastic, Reconstructive & Aesthetic Surgery, v. 72, n. 2, p. 243-272, 2019. DOI: 10.1016/j.bjps.2018.10.018. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30527707/. Acesso em: 7 set. 2026.

RADACHER, Lisa et al. Autoaugmentation versus Implant-Based Augmentation Mastopexy after Massive Weight Loss: Quality-of-Life, Surgical, and Aesthetic Results. Plastic and Reconstructive Surgery, v. 158, n. 2, p. 249-260, 2026. DOI: 10.1097/PRS.0000000000012633. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42519939/. Acesso em: 7 set. 2026.

RINKER, Brian; VENERACION, Melissa; WALSH, Catherine P. Breast ptosis: causes and cure. Annals of Plastic Surgery, v. 64, n. 5, p. 579-584, 2010. DOI: 10.1097/SAP.0b013e3181c39377. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20354434/. Acesso em: 7 set. 2026.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE CIRURGIA PLÁSTICA. Lifting de Mama – Mastopexia. São Paulo: SBCP, [s.d.]. Disponível em: https://www.cirurgiaplastica.org.br/cirurgias-e-procedimentos/mama/lifting-de-mama/. Acesso em: 7 set. 2026.

UNITED STATES. Food and Drug Administration. What to Know About Breast Implants. [s.d.]. Disponível em: https://www.fda.gov/consumers/consumer-updates/what-know-about-breast-implants. Acesso em: 7 set. 2026.

ZAUSSINGER, Maximilian; WENNY, Raphael; HUEMER, Georg M. Auto-Augmentation Mastopexy: Inferiorly Based Parenchymal Flap Technique and Evaluation of Outcomes Using BREAST-Q After 151 Consecutive Patients. Aesthetic Plastic Surgery, v. 46, n. 6, p. 2723-2732, 2022. DOI: 10.1007/s00266-022-02868-w. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35381881/. Acesso em: 7 set. 2026.